Me sinto triste
Me sinto a beira de um sono
A particularidade da 1ª pessoa me incomoda
A particularidade me causa coisas que não sei
Eu não sei ser sozinha
Também não sei ser plural
Eu não sei nem o que é amizade
Tampouco o que o amor
Sei que a vida vive o tempo
e tempo também não sou
Palavras fluem em minha cabeça
E o tempo transita sem que eu veja
É o desespero da solidão
Amorteci uma cápsula de baixo da língua
E ela tampouco me quis
Eu agi agindo por agir
A curiosidade me contradiz
E a responsabilidade me diz
que é melhor não
Mas eu não sei
Vivi de poesias todos esses dias
Eu me fechei no que não diz
Repito palavras
porque não as conheço
Rabisco para desabafar meu desapego
Eu não sei quem eu sou
Não sei onde vivo
Não conheço as pessoas
e isso me perturba
Vomito e vomito
Mas nada sai de mim
Pouco há aqui
Dias repetidos de pessoas repetidas
Procuro a saída
Mas ela se escondeu
Me entristeço sob a fumaça
E sorrio sobre ela
As pessoas não me escutam
Porque sobreviver é dificil
e isso eu sei.
Mas queria que me entendessem
Porque isso eu muito faço
Muito escuto
sem parar
E eu continuo aqui
Sem nada tracejar
Não sei qual o meu tempo
Nem o que há de errado em mim
Queria saber
Porque cansei de viver assim
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