segunda-feira, 20 de outubro de 2014

1ª Pessoa

Me sinto triste
Me sinto a beira de um sono

A particularidade da 1ª pessoa me incomoda
A particularidade me causa coisas que não sei

Eu não sei ser sozinha
Também não sei ser plural

Eu não sei nem o que é amizade
Tampouco o que o amor
Sei que a vida vive o tempo
e tempo também não sou

Palavras fluem em minha cabeça
E o tempo transita sem que eu veja

É o desespero da solidão

Amorteci uma cápsula de baixo da língua
E ela tampouco me quis

Eu agi agindo por agir
A curiosidade me contradiz
E a responsabilidade me diz
   que é melhor não

Mas eu não sei

Vivi de poesias todos esses dias
Eu me fechei no que não diz

Repito palavras
   porque não as conheço
Rabisco para desabafar meu desapego

Eu não sei quem eu sou
Não sei onde vivo
Não conheço as pessoas
   e isso me perturba

Vomito e vomito
Mas nada sai de mim
Pouco há aqui

Dias repetidos de pessoas repetidas
Procuro a saída
Mas ela se escondeu

Me entristeço sob a fumaça
E sorrio sobre ela

As pessoas não me escutam
Porque sobreviver é dificil
    e isso eu sei.

Mas queria que me entendessem
Porque isso eu muito faço
Muito escuto
   sem parar

E eu continuo aqui
Sem nada tracejar

Não sei qual o meu tempo
Nem o que há de errado em mim
Queria saber
Porque cansei de viver assim

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