quarta-feira, 19 de novembro de 2014

Algo aconteceu

As fronteiras do meu lar já não são seguras
Não encontro o limite do sim, nem do não
O seio materno está ferido
E a culpa não é de meu irmão

Rejeição não é agouro que ofereço gratuitamente
Mas a ela não há valor algum

Plano baixo pra silenciar
Tento me calar
Mas voz alguma jamais saiu
Parece que algo explodiu

Eu não queria magoar

sexta-feira, 31 de outubro de 2014

Faz

Faz amanhecer
Dia claro
Faz ir-se longe o breu da noite que passou
Trás o alvorecer

Faz amanhecer
O dia que virá
O sono há de passar
A memória longe ficará

Faz amanhecer
Trás a melodia daquele sorriso
Daquele rosto bonito
Que a terra tratou de fazer nascer

Faz amanhecer
O sentido da vida.

segunda-feira, 20 de outubro de 2014

1ª Pessoa

Me sinto triste
Me sinto a beira de um sono

A particularidade da 1ª pessoa me incomoda
A particularidade me causa coisas que não sei

Eu não sei ser sozinha
Também não sei ser plural

Eu não sei nem o que é amizade
Tampouco o que o amor
Sei que a vida vive o tempo
e tempo também não sou

Palavras fluem em minha cabeça
E o tempo transita sem que eu veja

É o desespero da solidão

Amorteci uma cápsula de baixo da língua
E ela tampouco me quis

Eu agi agindo por agir
A curiosidade me contradiz
E a responsabilidade me diz
   que é melhor não

Mas eu não sei

Vivi de poesias todos esses dias
Eu me fechei no que não diz

Repito palavras
   porque não as conheço
Rabisco para desabafar meu desapego

Eu não sei quem eu sou
Não sei onde vivo
Não conheço as pessoas
   e isso me perturba

Vomito e vomito
Mas nada sai de mim
Pouco há aqui

Dias repetidos de pessoas repetidas
Procuro a saída
Mas ela se escondeu

Me entristeço sob a fumaça
E sorrio sobre ela

As pessoas não me escutam
Porque sobreviver é dificil
    e isso eu sei.

Mas queria que me entendessem
Porque isso eu muito faço
Muito escuto
   sem parar

E eu continuo aqui
Sem nada tracejar

Não sei qual o meu tempo
Nem o que há de errado em mim
Queria saber
Porque cansei de viver assim

Vôo

Choro gritante
Sorriso flamejante

Vento que bate
Dá impulso
Sopra em meu ouvido

Pássaro voador passa
E tenta me ensinar
Mas coragem me falta
E eu não consigo saltar

Sou presa selvagem
De animais mais fortes
Estou presa aqui embaixo
E questiono minha sorte

Fios cobrem minha visão
Pouco posso enxergar
O tempo tenta me cegar
Mas ainda tenho coração

Olhos observam
E sei que procuram saber o que há
Acham que altura pode matar
Crianças com medo se preocupam demais
Porque a essa altura
Nada pode acontecer
Se não,  me limitar.

segunda-feira, 22 de setembro de 2014

Aleatoriedades | 140923

Eu só queria poder discutir,
De um jeito diferente.

Tocar,
Sem sentir medo, sem terror.

Amar,
Sem cuidar, sem me preocupar.

Respirar,
Sem vigiar, sem controlar.

Viver,
Por querer, não por me obrigar.

Agir,
Sem pensar, sem machucar.


Queria, mas não poderia.
Pra não errar, nem atrapalhar.

Pra proteger,
É melhor esquecer.

Aleatoriedades Metamórficas | 140923

Eu diria que gostaria de ser diferente, de parecer mais legal ou interessante, mas seria mentira.
Gosto de acreditar no meu eu, sem espaço para que os outros me digam o que devo fazer ou ser, e trabalhar unicamente por minha sensatez e escolhas.
Onde meus sacrifícios sejam parte de minha escolha.

Gosto de pensar que posso escolher, ainda que essa mentira seja uma escolha minha também.

quinta-feira, 11 de setembro de 2014

Devaneios de ser

Nada sei
Pouco sei
Muito sei

Pouco quero
Muito tenho
Nada espero

Dia passa
Na minha casa
E nada vem

Sem experiência
Sem expectativa
Desconheço minha vida

Muito falo
Nada digo

Nada faz sentido.

terça-feira, 2 de setembro de 2014

Imundo

Cada toque asqueroso, cada riso
Cada maldade implícita, cada maldade cega.

Cegos todos que viram,
Cegos todos que não quiseram ver.
Cínicos que a deixaram, que a ignoraram,
Aqueles que a deixaram corromper.


Cada traço gravado,
Cada amor recusado,
Todo pensamento, atormentado.


Choro silencioso em lágrimas jamais perdidas,
Seria esse o beco sem saída?

Corrompida a alma
Corrompido o corpo
Perdida a fala.

Peduraria isto durante toda a vida?