quando fomos antes, eu teria dado a vida
amor de louca, amor apaixonado
amor que quer demais
amor desvairado
amor com medo
quando fomos depois
eu teria te dado vidas
teria feito filhos, uma casa, amores mais sóbrios
e quando não fomos nem isso
eu chorei, fui bêbada
vomitei meus anseios, chorei minhas mágoas
expeli as frustrações
e percebi que era de fato com você que queria meus filhos e minha vida
pronunciei meus desejos mais sagrados
foi quando soube que não era por nós,
mas por tudo.
esmoreci
perdi
desisti
e prometi não sentar mais no chão do banheiro da estação
implorando a deus por alguém que não pode partilhar os mesmos sonhos que os meus
escrevi pra você no meu imaginário mil formas de dizer adeus
pedindo a mim mesma a compreensão de que era um adeus
e quando fomos ontem
apesar de tudo
eu ainda te quis (quero)
por perto
e depois de tudo, acho que entendi
os fragmentos das despedidas que repeti ao longo dos anos
eu acho que acabou
mas ainda tenho estilhaços do que a gente foi e do que seríamos
unindo-se a serem despejados, substituídos
e ainda te quero
não como antes
mas não posso me desprender de você
te quero amiga, te quero
te quero como a força do primeiro amor
mesmo quando ele, enfim, acabou.
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